A economia é consequência

Na última terça, me encaminharam uma matéria da Veja com o título “Quem é o deputado que mais economizou recursos públicos em 2021”. Ao abri-la, confesso que fiquei surpreso ao ver o meu nome em primeiro lugar. Achava que, há algum tempo, não ocupava mais este “posto”.

Trabalho com um sistema de metas de desempenho em meu gabinete. O valor que eu economizo não é uma delas. Acho bobagem economizar por economizar. Se meu objetivo fosse simplesmente não gastar, bastava não contratar nenhum assessor, nem aparecer para trabalhar. 

Por outro lado, temos metas de antecedência na compra de passagens aéreas. Afinal, quanto maior a antecedência, menor o valor. Também temos metas de alcance das minhas redes sociais. Como sabemos, atingir mais pessoas pela internet é bem mais barato do que presencialmente. Acredito que ao trabalhar com recursos da população, a busca por eficiência é o mínimo que se espera.

Mas, principalmente, temos metas de desempenho da minha atividade legislativa. Sabemos, por exemplo, que em 2021 minha equipe analisou 424 projetos que estiveram em pauta nas Comissões e apresentamos mais de 700 requerimentos de retirada de pauta. Dos projetos aprovados nas comissões de educação e trabalho, 22,7% tiveram contribuições diretas nossas. Para um legislador preocupado em atingir resultados, esses números importam muito mais do que o ranking dos mais econômicos.

A constatação de que fui o deputado mais econômico em 2021 traz algumas reflexões. A primeira delas é que não é necessário gastar uma fortuna para desempenhar um bom papel no Congresso. Nunca deixei de desempenhar nenhuma atividade por querer economizar.

Fica também evidente a discrepância entre o valor gasto por meu gabinete e pela maior parte dos demais. Enquanto utilizei cerca de R$ 20 mil ao longo de 2021 da chamada cota parlamentar, recurso disponível para gastos de manutenção do gabinete, os deputados que mais gastaram utilizaram mais de meio milhão, quase 30 vezes mais!

É claro que um deputado do Acre gastará mais do que eu. Afinal, as passagens de Brasília para Rio Branco são bem mais caras do que para BH. Mas certamente não custam 30 vezes mais.

Os gastos astronômicos ocorrem por diversos motivos. Um deles pode ser, sim, a corrupção. Com frequência, são divulgados casos de desvio de recurso com cota de gabinete, através da contratação de consultorias de fachada, compras suspeitas de gasolina, e por aí vai. Outro é a apropriação do recurso público para fins privados. São inúmeros os parlamentares que utilizam a cota para despesas pessoais, como refeições e viagens sem nenhuma relação com a atividade parlamentar. Por fim, há a cultura de que o recurso público está lá para ser gasto. Se há R$ 40 mil “disponíveis” para determinado parlamentar, ele acha que se não gastar tudo está deixando de aproveitar o recurso, ao invés de pensar o contrário: o recurso só deve ser utilizado em caso de necessidade.

A forma como eu e o Partido Novo lidamos com os recursos públicos não deveria ser exceção. O dinheiro da Câmara é de cada cidadão brasileiro, e deveria ser gasto com o mínimo de respeito. Infelizmente, a cultura política do Brasil trata este dinheiro como se fosse dos políticos. Isso é evidente tanto nos gastos exorbitantes dos gabinetes da Câmara, quanto no valor absurdo do Fundão Eleitoral.

Fico feliz por ter sido o deputado mais econômico em 2021. Porém, ficarei ainda mais se isso servir de exemplo para outros parlamentares e, principalmente, para eleitores. Minhas economias em nenhum momento limitaram a minha atuação parlamentar. Que a prática do meu gabinete e dos meus colegas sirva de exemplo para que o dinheiro do cidadão passe a ser respeitado por nossos representantes.

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