Estragos das chuvas se previnem com ações, não com bravatas

“Se o prefeito entra nessa cidade, vê isso aqui, e sai deixando isso aqui, ele não serviu para nada”.

A frase foi dita por Alexandre Kalil, prefeito de Belo Horizonte, na sexta-feira, dia 16 de novembro de 2018. No dia anterior, fortes chuvas haviam caído em BH, especialmente em Venda Nova, levando à morte mãe e filha que se protegiam dentro do carro. Um ano e meio depois, uma tragédia ainda maior acometeu a capital e centenas de cidades mineiras, causando ainda mais mortes.

É fato que as chuvas de janeiro deste ano que devastaram grande parte de Minas foram sem precedentes. Somente na capital, caíram 935,2 mm de chuva ao longo do mês, quase três vezes mais do que esperado para este período. No dia 24/01, tivemos o dia mais chuvoso de que se tem registro na história da cidade, com precipitação de 170 mm em 24 horas. 

No interior, outros 195 municípios estão em situação de emergência, sendo que 20 deles registram 45 óbitos, que se somam aos 13 registrados na capital.

É claro que não é possível responsabilizar os governantes pela ocorrência e intensidade das chuvas. Mas podemos sim cobrar que as cidades estejam melhor preparadas para lidar com as recorrentes tempestades, que acontecem todos os anos, e que também avancem em medidas para minimizar os impactos por elas causadas.

E, neste quesito, é preocupante ver a inoperância da prefeitura de BH em relação ao problema. Mais de um ano e dois meses após a entrevista de Kalil mencionada acima, a única mudança que vimos foi no discurso do prefeito.

Se em 2018 Kalil assumiu a responsabilidade pelas duas mortes na Avenida Vilarinho, em 2020, preferiu responsabilizar “empresários gananciosos” em entrevista e reclamar da cobrança de jornalistas, dizendo que não poderia ter feito milagre.

Com a costumeira arrogância e populismo adotados em seus pronunciamentos, Kalil parece estar mais preocupado em jogar para a plateia do que resolver os problemas da cidade.

Em seus três anos de gestão, a prefeitura não executou nem metade do orçamento previsto para obras de prevenção a enchentes, e ainda protagonizou vexaminoso recuo nas obras prometidas para a Avenida Vilarinho. Após conseguir aprovação de R$ 300 milhões para a execução de obras na região, desistiu de executá-las por admitir que enviou um projeto com erros à Câmara de Vereadores.

Enquanto a prioridade do prefeito for a constante mudança de alvo de sua metralhadora giratória, quem perde é a população belo-horizontina. Precisamos de um prefeito que esteja disposto a liderar, de forma técnica e responsável, a resposta que a cidade dará para que novas tragédias não voltem a ocorrer na cidade. No ritmo atual, a gestão de Kalil não terá “servido para nada”, conforme o próprio diagnóstico do prefeito.

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