A educação brasileira precisa ser levada a sério

Nas últimas semanas, assistimos a mais uma novela protagonizada pelo Ministério da Educação. No último dia 17, data da divulgação das notas do Enem de 2019, o ministro Abraham Weintraub disse em entrevista que havia realizado “o melhor Enem de todos os tempos”. No fim do mesmo dia, porém, após a divulgação dos resultados da prova, inúmeros alunos começaram a contestar os resultados do exame.

O Inep, órgão responsável pela aplicação do exame, admitiu o erro no dia seguinte, garantindo que a falha havia afetado apenas 0,15% dos 3,9 milhões de estudantes que prestaram o exame, correspondendo a 5.974 alunos prejudicados. Também foi dito que os erros já haviam sido sanados.

Na semana seguinte, porém, a credibilidade do exame foi novamente abalada, após possíveis inconsistências serem apontadas no Sisu, o Sistema de Seleção Unificada do MEC. Desta vez, o Ministério negou a existência de tais problemas.

Tal ambiente de incerteza, levou o Ministério Público Federal a solicitar a suspensão do Sisu até que as dúvidas que pairavam sobre o exame fossem solucionadas, decisão que foi acatada pela Justiça Federal. No início da noite de terça, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu atender o recurso do governo federal contrário à decisão anterior e permitiu a divulgação do resultado. 

De roubo de provas até falhas na impressão de provas, os problemas no Enem são, infelizmente, recorrentes, o que nos leva a repensar se a forma de aplicação atual é a mais adequada. O próprio MEC, inclusive, já anunciou planos de iniciar uma transição para a aplicação digital da prova, o que é uma decisão acertada se bem executada.

O erro deste ano, porém, vem acompanhado de um elemento diferente dos anos anteriores: a falta de credibilidade e confiança de parte relevante da sociedade no próprio ministro da Educação.

A arrogância demonstrada por Abraham Weintraub ao cantar vitória poucas horas antes de graves erros serem apontados no ENEM de 2019 não foi um fato isolado. Desde que assumiu o Ministério, em abril de 2019, o ministro não conseguiu passar uma semana sequer sem protagonizar alguma polêmica ou adotar alguma postura que se mostra distante do que se espera de um ministro de Estado.

De ataques à imprensa e a parlamentares a uma presença irresponsável em redes sociais, que acabam de lhe render uma advertência da Comissão de Ética da Presidência, as ações de Weintraub demonstram sucessivamente que ele não tem as qualidades esperadas de um ministro, muito menos da Educação. Somadas aos erros técnicos e de gestão graves incorridos, como os do ENEM, os poucos meses da gestão de Weintraub constroem uma já longa lista de razões para que ele não esteja mais à frente do MEC.

Se Bolsonaro deseja que a Educação deixe de ser uma pedra em seu sapato e passe a fazer parte das pastas de seu governo que estão funcionando, como a da Economia, o ministro precisa ser substituído com urgência. A educação brasileira precisa ser levada a sério. E certamente não será com um ministro cujas ações mais se aproximam da infantilidade que chegaremos a este objetivo. Weintraub precisa sair. A educação brasileira agradecerá.

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